Asiático · Floresta
“Qual o restaurante favorito de Porto Alegre de vocês?”
Avaliador oficial da OTG.
“Qual o restaurante favorito de Porto Alegre de vocês?”
Já faz muito tempo que nos perguntam “Sofias, qual o restaurante favorito de Porto Alegre de vocês?” e a sensação sempre foi de pânico geral na cabeça. Voltávamos sempre pras perguntas “Seja mais específico… de xis? de massa? japonês” a fim de conseguir nichar o nosso pensamento e responder à altura dessa pergunta nada simples. Acontece que sexta passada resolvemos parar de nos enrolar e prestigiar um dos restaurantes mais bem falados de Porto Alegre, o Nuh - que tantos chefs apontam como um dos melhores da cidade. Foi uma surpresa descobrir que o Nuh, à primeira vista, é um porta escondida na Cristóvão Colombo a qual já tinha nos passado despercebida incontáveis vezes. Mais surpresa ainda, foi descobrir que a porta leva a um corredor que chega a um jardim lindo projetado em volta de uma cozinha com panelas wok a todo vapor. No cardápio, carinhosamente chamado de meNUH, pedimos de entrada as indicações do garçom: Mushrooms Feast e Bun, 3 de berinjela e 3 de porco. Na descrição do garçom, os cogumelos vinham com um “molho mágico de 18 ingredientes”. Fato, o molho era mágico e a grande diversão da mesa foi tentar - sem tanto sucesso - descobrir quais eram. O que deu pra perceber era um molho agridoce, com - no mínimo - molho de ostra, shoyu, páprica, limão, laranja (?) e outras especiarias de comer de colher. Porém, o feitiço acaba com uma parte do molho ainda no prato, ficando aqui nosso pedido de adicionar algum meio de chuchar até o fim - faltou o clássico pãozinho para acompanhar. Porém, a entrada que chutou o pé na porta pra ficar nos nossos sonhos depois foi o Bun. Até suspirei lembrando. Pão chinês no vapor que parecia uma nuvem com um molho agridoce e picles de cenoura que davam um contraste digno de suspiros e repetidos “Uau” pela mesa. Tanto a berinjela empanada e glaceada, quanto a panceta eram de desmanchar, revirar os olhinhos e descobrir, finalmente, o que significa algo ser “Umami” na língua. Uau. Anotar: não sair de lá sem experienciar o Bun. Na hora dos principais, nos indicaram pedir 3 pratos para 5 pessoas. Porém, teimosas e famintas que somos, pedimos 4, bem servidos: Claypot Octopus & Mashroom, Singapore, Cambodian Lort Cha e Tteok Red Curry - acabei de agradecer mentalmente pelo review escrito, falar esse nomes não seria das tarefas mais simples. Sem enrolação, todos impecáveis. Os preços do Nuh passam longe dos democráticos, mas vão se explicando conforme os ingredientes vão se revelando e as porções foram convidativas.Há tranquilidade em falar que qualquer escolha no meNUH parece bem-vinda, mas dois deles ganharam nosso paladar. Primeiro, o Cambodian Lort Cha, massa de arroz artesanal com camarão, bacon, bok choy, alho nirá, broto de feijão e ovo. Fez a gente pensar na urgência de colocar nos cardápios a união de camarão com bacon e da massa com o ovo frito. Mas também não era qualquer massa, mas sim no estilo “grossinha” que parece mais capaz de sugar todo o molho agridoce junto com os legumes e encher a boca a cada mordida. Segundo, temos que falar, obrigatoriamente, do Tteok Red Curry: massa de arroz macia (longe de qualquer textura “puxenta”) feita de encomenda ao curry com especiarias colhidas diretamente de solo tailandês para, de novo, encher a boca de sabor em toda garfada. Um ótimo casamento entre a delicadeza da massa e o sabor intenso (apimentado, sim), mas complexo do curry com leite coco. Ah, o leite de coco. Eles produzem com cocos tailandeses mesmo e não há como não incentivar que continuem porque o sabor era nitidamente diferente e especial - fresco e encorpado na mesma medida. Acho que deu pra entender que os principais eram de encher os olhos pela lindeza e depois a boca pela explosão de sabores doces e salgados ao mesmo tempo. Quando vai chegando ao fim, a gente quase pede mentalmente para que as sobremesas não sejam tão especiais para não termos que nos alongar muito. E realmente, nesse caso, elas não chegam aos pés dos principais, mas estão acima da cabeça de muitos cardápios de sobremesa, então não há como ignorar. Foi um dos únicos lugares que encontramos “Mango with Sticky Rice” em Porto Alegre, que nada mais é do que manga com arroz doce, mas feito com o leite de coco produzido na casa que falamos anteriormente - diferenciado. Escrevemos isso com água na boca e vontade de voltar o quanto antes ao Nuh, que varia alguns pratos durantes os meses, sendo um prato cheio para fidelizar o cliente. Uma experiência digna de nos fazer voltar sorrindo pra casa e com um alívio de finalmente poder responder “Sofias, qual o restaurante favorito de Porto Alegre de vocês?” com: o Nuh.
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